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Casa do Povo de Capareiros, Distrito de Viana do Castelo

Conjunto de documentação textual referente a inspeções realizadas à Casa do Povo de Capareiros, em Viana do Castelo.

Se tem alguma memória ou informação relacionada com este registo, por favor envie-nos o seu contributo.

Identificação

Tipo de Processo
CorrespondênciaTipo de Processo
Designação do Processo
Casa do Povo de Capareiros, Distrito de Viana do Castelo
Anos Início-Fim
1944-1954

Análise

Primeira Data Registada no Processo
1944.03.31
Última Data Registada no Processo
1954.11.24
Síntese de Leitura

1944.03.31 - Relatório de inspeção ordinária à Casa do Povo de Capareiros, elaborado pelo Escriturário de 1ª Classe da Inspeção dos Organismos Corporativos (IOC), Amanias Faria dos Santos.

A Casa do Povo de Capareiros foi constituída em 1936.03.21, abrangendo uma freguesia com uma população de cerca de 3.500 habitantes. A freguesia de Capareiros, embora “predominantemente rural, tem um certo número de indústrias que a diferenciam nitidamente dos meios essencialmente agrícolas”, de entre as quais se destacam a serração de madeiras, a olaria, entre outras, sendo um importante centro de madeiras. Refere-se que todas as quartas-feiras se realiza em Capareiros uma feira importante, na qual tomam parte “muitos milhares de pessoas de todas as freguesias vizinhas”, e se vendem produtos agrícolas e industriais. A freguesia tem acesso fácil à sede de concelho, da qual dista 14km, através de via férrea, uma “excelente rede de estradas” e uma carreira diária de camionetas.

O ambiente político da freguesia “é ainda muito influenciado pelo espírito dos antigos caciques da localidade”. Estes “velhos influentes políticos (…) exercem acção prejudicial que se reflecte, por vezes profundamente, na vida da Casa do Povo”, embora a ação do Estado e das autoridades locais consiga anular ou reduzir os efeitos “dos ataques desses indivíduos”. No entanto, os antigos dirigentes da Casa do Povo pediram demissão, por “não terem conseguido afastar o médico da instituição quando verificaram que a sua identidade política e moral era bastante duvidosa”. Considera-se que o médico deve ser dispensado, com o apoio do Delegado, mas “de forma que a influência de que o médico dispõe se não torne em instrumento hostil que possa vir a precipitar o fim do organismo”.

O edifício-sede da Casa do Povo situa-se no lugar da estação, em terreno oferecido pela Junta de Freguesia, e corresponde à planta oficial tipo A, consideravelmente aumentada.

A Casa do Povo tem vindo a conceder poucos benefícios no âmbito da previdência e assistência.

1946.10.21 - Relatório de inspeção à Casa do Povo de Capareiros, elaborado pelo Subinspetor da IOC, Alberto Pena Monteiro.

Passado um ano e meio da última inspeção, considera-se que “o exame da situação actual da Casa do Povo oferece impressão satisfatória”.

1954.11.24 - Relatório de inspeção à Casa do Povo de Capareiros, elaborado pelo Subinspetor da IOC, Armelim Nunes Tomaz.

Quanto à sede, refere que todas as dependências (secretaria, gabinete da direção, consultório médico e salão) “se encontram mobiladas sem grande aparato com os indispensáveis móveis, os quais se apresentam bem conservados”. Acha-se que a Casa do Povo “é bem aceite no meio, sendo a sede bastante frequentada, principalmente aos domingos”. A sede dispõe de jogos de sala, de uma mesa de ping-pong e de um aparelho de telefonia. Refere-se ainda que, junto do edifício, funcionava um grupo comunbófilo.

O campo da previdência e assistência é “onde mais se faz sentir a acção da Casa do Povo”, concedendo todos os benefícios obrigatórios e ainda assistência medicamentosa e subsídio de nascimento.

Para citar este trabalho:

Arquitectura Aqui (2024) Casa do Povo de Capareiros, Distrito de Viana do Castelo. Acedido em 19/09/2024, em https://arquitecturaaqui.eu/documentacao/processos/46609/casa-do-povo-de-capareiros-distrito-de-viana-do-castelo

Este trabalho foi financiado pelo European Research Council (ERC) – European Union’s Horizon 2020 Research and Innovation Programme (Grant Agreement 949686 – ReARQ.IB) e por fundos nacionais portugueses através da FCT – Fundação para a Ciência e a Tecnologia, I.P., no âmbito do projeto ArchNeed – The Architecture of Need: Community Facilities in Portugal 1945-1985 (PTDC/ART-DAQ/6510/2020).