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Conversa anónima-05, Viana do Castelo

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Identificação

Título
Conversa anónima-05, Viana do Castelo
Data
2024.09.09

Conteúdo

Registo da Observação ou Conversação

Falámos com uma moradora do bairro que está a tratar do jardim da casa da sua vizinha. Agradecemos-lhe sinceramente a sua disponibilidade para falar connosco e nos fazer compreender o valor das memórias pessoais e familiares em torno deste bairro de habitação.

Segundo esta residente, as casas foram construídas para realojar um conjunto de agregados familiares, na sua maioria com relações familiares entre si, que habitava em condições precárias junto à Praia do Cabedelo. Na zona onde hoje existe um Parque de Caravanas antes estava povoado por barracas onde viviam famílias de pescadores. Estas casas foram demolidas, e as famílias realojadas, por causa da ampliação do porto de mar nessa zona.

As casas foram atribuídas de acordo com o agregado familiar. Os seus pais receberam uma casa com três quartos, dois quartos de banho, uma despensa, e uma garagem para carros. As casas incluíam um quintal na frente de rua, para cultivo de consumo próprio, e um espaço, nas traseiras, para arrumar redes, anzóis e outras ferramentas de pesca.

Ela salienta a qualidade de construção destas casas. Por exemplo, o conforto térmico é uns dos aspetos que funcionam muito bem. A casa é quente no inverno e fresca no verão. Todas as divisões têm paredes em contraplacado com isolamento. Por outro lado, as janelas a sul, viradas para o rio, e a ventilação cruzada, permitem refrescar a casa muito facilmente.

Ela também refere que os moradores gostam e cuidam das casas, que mantêm muito bem conservadas. Têm consciência da importância de trabalhos regulares de manutenção em casas de madeira. E fazem trabalhos de conservação quotidianos porque não querem que as casas se deteriorem e tenham de sair. Por exemplo, ela fez vários melhoramentos na sua casa, como a substituição das janelas antigas por janelas de alumínio. O seu vizinho pintou a fachada com algum conservante de madeira. E podemos constatar que a parte lateral da casa, por exemplo, não tem esta pintura e parece mais deteriorada, embora parece estar ainda em bom estado.

Os membros da família, especialmente os filhos das pessoas a quem foram concedidas as casas, também vivem aqui, pelo que a utilização das casas continua. Espera que as instituições assegurem a permanência dos filhos ou familiares depois de os moradores originais morrerem, porque as pessoas têm fortes ligações com esta zona e o bairro.

Considera o bairro muito sossegado, as pessoas não se metem na vida umas das outras. Ao mesmo tempo, salienta que quase todos os moradores das casas são familiares uns dos outros: um primo, uma prima, uma sobrinha. E as relações com vizinhos são muito boas, partilhando tempo livre e pequenos favores quotidianos.

A recolha e incorporação do testemunho oral foram elaboradas por Ivonne Herrera Pineda e Catarina Ruivo, com base numa conversa informal mantida em setembro de 2024. Agradecemos sinceramente a disponibilidade desta moradora para conversar connosco.

Para citar este trabalho:

Ivonne Herrera-Pineda e Catarina Ruivo para Arquitectura Aqui (2025) Conversa anónima-05, Viana do Castelo. Acedido em 12/01/2026, em https://arquitecturaaqui.eu/pt/documentacao/notas-de-observacao-ou-conversacao/50235/conversa-anonima-05-viana-do-castelo

Este trabalho foi financiado pelo European Research Council (ERC) – European Union’s Horizon 2020 Research and Innovation Programme (Grant Agreement 949686 – ReARQ.IB) e por fundos nacionais portugueses através da FCT – Fundação para a Ciência e a Tecnologia, I.P., no âmbito do projeto ArchNeed – The Architecture of Need: Community Facilities in Portugal 1945-1985 (PTDC/ART-DAQ/6510/2020).