Construção do Salão Paroquial de Penamacor
Processo constituído por 4 volumes, nomeadamente:
- Pasta de cartão verde com inscrições manuscritas na capa: “C.C.R.C. / Castelo Branco / Penamacor” no canto superior direito; “312/UM/69” ao centro”; “Fábrica da Igreja de Penamacor / Construção do Salão Paroquial de Penamacor”. Contém documentação administrativa da obra e correspondência.
- Pasta de cartão de tonalidade desbotada, com inscrições indicando tratar-se do 1.º volume. Contém documentação textual e gráfica relativa ao projeto do Salão Paroquial.
- Pasta de cartão castanho, com inscrições indicando tratar-se do 2.º volume. Contém documentação gráfica relativa a pormenores do projeto.
- Pasta de cartão bege, com etiqueta identificando o projeto de mobiliário, correspondendo ao 3.º volume. Contém documentação textual e gráfica.
Identificação
Análise
1967.05: Memória descritiva do projeto do Salão Paroquial de Penamacor, assinada pelo arquiteto Ferrão de Oliveira. Será construído num terreno de gaveto, substituindo antigas edificações “sem qualquer interesse arquitectónico” e praticamente demolidas. O partido arquitetónico foi definido pela topografia e configuração do terreno, segundo programa apresentado pelo pároco de Penamacor. Os serviços, com fins de formação religiosa e social, são distribuídos por três pisos. O piso térreo integra átrio para acesso dos paroquianos com bengaleiro e sanitários, do qual parte a escada; neste piso, existe biblioteca, dois gabinetes que poderão servir como dormitórios, cozinha, despensa e refeitório, com acessos independentes. No 2.º piso localiza-se o salão, destinado a “catequese, conferências, projecções de filmes culturais e de formação e a festas escolares e recitativos”, com 200 lugares sentados; sob o palco há arrecadação para armazenar as cadeiras. Prevê-se, ao nível do 3.º piso, um balcão para 103 lugares sentados, bem como cabine de projeções e gabinete para a enroladeira. “Sob o aspecto estético procurou-se uma arquitectura de integração no meio, de acentuadas características tradicionais”. São descritos os materiais a empregar. Está acompanhada de caderno de encargos. O projeto inclui peças desenhadas: plantas de implantação e dos pisos, alçados, cortes, pormenores.
S.d.: Cálculos de estabilidade, assinados por Fernando Manuel Vendrell de Barros Henriques.
1969.07.01: Ofício do pároco de Penamacor, Padre António Baltazar da Ressurreição, dirigido ao Ministro das Obras Públicas. Solicita apoio financeiro estatal para concluir a obra do salão paroquial que, então, se encontrava paralisada pelas dificuldades financeiras por que passava a Fábrica da Igreja de Penamacor, que tivera iniciativa de construção. Indica que se trata de uma obra que pretende promover “cultura, recreio, orientação vocacional e assistência” junto da população rural de todas as freguesias do concelho e, na verdade, “um enriquecimento do património material e espiritual da própria Nação”. Não foi possível concretizar a obra apenas com donativos da população, maioritariamente agrícola e pobre, dado o orçamento no valor de 1.400 contos. Este ofício foi enviado pelo Governador Civil de Castelo Branco, Manuel Ascensão Azevedo, ao Subsecretário de Estado das Obras Públicas no mesmo mês.
1969.07.21: Foi aberto processo na Direção dos Serviços de Melhoramentos Urbanos (DSMU). O processo definitivo é aberto em setembro.
1969.09.12: Orçamento dos trabalhos por realizar, que ascende a 328.108$60. Assinado pelo Adjunto Técnico Principal António José Dias Tavares da Direção-Geral dos Serviços de Urbanização (DGSU).
1969.09.12: Informação assinada pelo engenheiro diretor da DSMU, Alfredo Rezende, referindo que a obra do salão paroquial não consta dos planos em vigor. A paróquia gastou, até à data, 900.000$00 obtidos através de dádivas dos paroquianos; julga, portanto, justificado o subsídio estatal para uma obra cujos “propósitos sociais e educativos dentro de uma formação cristã e preenche uma carência do aglomerado urbano em que se situa”. Estima-se uma comparticipação de 40%, no valor de 132.000$00.
1969.10.08: O engenheiro diretor-geral dos Serviços de Urbanização, A. Macedo dos Santos, informa o Governador Civil de Castelo Branco que o Subsecretário de Estado das Obras Públicas determinou que se anotasse a obra para inclusão num futuro Plano de Melhoramentos Urbanos, mediante apresentação do projeto.
1969.10.08: Alfredo Fernandes, engenheiro diretor dos SMU, informa o Bispo da Guarda de que o pedido para a obra ficou registado em 37.º ligar para consideração por parte da Diocese, por não constar da sua lista de prioridades.
1971.02.16: Ofício do Padre António Baltazar da Ressurreição dirigido ao Ministro das Obras Públicas. Agradece a recente visita do ministro e a sua compreensão para com as necessidades do salão paroquial, que pretende promover “o homem desde criança a velho, em todos os seus aspectos: religiosos, culturais, sociais, assistenciais, e, ajudá-lo nos tempos livres”. Relata que a obra está paralisada, tendo já sido gastos 850.000$00, em que 400.000$00 provêm de receitas amealhadas e 450.000$00 de donativos. Envia o projeto, conforme solicitado, e informa que o custo total da obra excluindo mobiliário é de 1.450.000$00. Necessitam de 900.000$00, pois a Fábrica tem 400.000$00 de dívidas, necessita de 250.000$00 para os trabalhos em falta e de igual valor para o projeto de mobiliário.
1971.04.12: Memória descritiva do projeto de mobiliário, assinada pelo arquiteto Manuel Ferrão de Oliveira, elaborada segundo programa da Comissão Fabriqueira num momento em que os trabalhos de construção estão em conclusão, sendo necessário equacionar o apetrechamento do edifício. “Não há peças supérfluas ou de luxo; tudo é estritamente o necessário, dentro da maior simplicidade e atendendo sobretudo às condições de utilização a que as várias peças vão estar sujeitas. O duradouro e funcional sobrepõe-se ao estético quando necessário, embora se entenda que este último aspecto faz igualmente parte da cultura do povo.” São discriminadas as peças planeadas para todos os compartimentos. Para além do mobiliário, refira-se a previsão de uma mesa de ping-pong e de uma mesa para televisão e arrumo de revistas e jogos para a sala de jogos. Estima-se para as empreitadas um custo de 256.000$00. Está acompanhada de peças desenhadas.
1971.04.17: Proposta de comparticipação com informação assinada pelo Técnico Adjunto Principal António José Dias Neves da Direção de Urbanização de Castelo Branco. Embora a obra esteja em adiantado estado de construção e nada se possa opinar para modificação, julga-se o projeto bem estudado arquitetonica- e funcionalmente. O orçamento dos trabalhos imporá em 600.000$00, propondo-se uma comparticipação na base de 35%, equivalente a 210.000$00. Foi aprovada superiormente.
1971.05.06: Portaria n.º 25 assinada pelo Ministro das Obras Públicas, Rui Sanches, concedendo comparticipação do Estado para a obra através do orçamento do Fundo de Desemprego no valor de 210.000$00. O pároco é informado no dia 20 de maio.
1971.06.08: Declaração do agente técnico de engenharia Fernando Manuel Vendrell de Barros Henriques sobre os cálculos de estabilidade referentes ao projeto.
1971.06.12: O presidente da Fábrica da Igreja de Penamacor solicita à DGSU autorização para continuar a executar as obras comparticipadas em regime de administração direta, como tem sido feiro, para poder “conseguir dádivas dos paroquianos em cedência de mão de obra e transportes” gratuitos. Alfredo de Rezende submete o pedido ao diretor-geral dos Serviços de Urbanização para que seja deferido, na condição de integrar um encarregado previamente aceite pelos serviços.
1971.09.29: Auto de medição de trabalhos n.º 1. Os trabalhos foram iniciados a 30.06.1971.
1972.11.07: Auto de medição de trabalhos n.º 2. Os trabalhos estão concluídos desde 03.11.1972.
1972.12.26: Auto de vistoria geral.
1973.01.19: O processo foi arquivado.
Para citar este trabalho:
Ana Mehnert Pascoal para Arquitectura Aqui (2026) Construção do Salão Paroquial de Penamacor. Acedido em 17/03/2026, em https://arquitecturaaqui.eu/pt/documentacao/processos/48005/construcao-do-salao-paroquial-de-penamacor




