Salão Paroquial, Penamacor
O edifício do Salão Paroquial de Penamacor foi construído por iniciativa da Fábrica da Igreja de Penamacor enre finaias da década de 1960 e inícios da seguinte, com impulso do padre António Baltazar da Ressureção.
O projeto de arquitetura, delineado em 1967, coube ao arquiteto Manuel Ferrão de Oliveira, que nessa altura também foi contratado para elaborar o projeto do Mercado Municipal de Penamacor. A construção foi iniciada recorrendo a verbas próprias e a donativos dos paroquianos, que também contribuíam com mão de obra e transporte de materiais. Porém, considerando que a maioria da população tinha fracos recursos e se dedicava à agricultura, as verbas não foram suficientes, o que levou à paralização da obra em 1969. Nessa altura, o pároco solicitou uma comparticipação financeira ao Estado, que veio a ser concedida através do Fundo de Desemprego. As obras de conclusão decorreram entre junho de 1971 e novembro de 1972. Nesse período, o arquiteto Ferrão de Oliveira também elaborou o projeto para o mobiliário.
Para além de funções ligadas ao culto religioso católico, como aulas de catequese, também foram realizadas sessões de cinema no edifício, por iniciativa dos jovens penamacorenses, conforme atestam testemunhos locais partilhados em 2024. De facto, o programa previa que o edifício concorresse para a promoção social, religiosa, assistencial e cultural da população de Penamacor, incluindo não só a sede do concelho, mas todas as freguesias.
Em 2001 iniciaram-se obras de recuperação do edifício, prevendo-se a sua reconversão como centro de artes. No entanto, as obras estagnaram por falta de verbas da Câmara Municipal de Penamacor e de outros apoios financeiros para conclusão, mantendo-se nessa situação em 2024.
Análise
O Salão Paroquial enquadra-se na malha urbana da vila, nas imediações da igreja de S. Tiago. Foi implantado no local de antigas edificações, demolidas para esse fim. Trata-se de um edifício de planta retangular, implantado em terreno desnivelado, num gaveto. Segundo o arquiteto, "sob o aspecto estético procurou-se uma arquitectura de integração no meio, de acentuadas características tradicionais”. O edifício Possui cave e dois pisos, com paredes cegas no piso superior e embasamento em pedra aparelhada.
A memória descritiva de 1967 revela que o partido arquitetónico foi definido pela topografia do terreno. OS serviços foram distribuídos por pisos: no piso térreo fazia-se a entrada, com localização de duas salas que poderiam servir como dormitórios, biblioteca, cozinha, despensa e refeitório; o salão localizava-se no 1.º piso, tendo capacidade para 200 lugares, cujas cadeiras podiam ser armazenadas sob o palco; um nível acima, integrou-se um balcão para comportar mais 103 lugares e a cabine de projeções com gabinete anexo.
Momentos-chave (clique abaixo para mais detalhe)
Localização
Estado e Utilização
Materiais e Tecnologias
Documentação
A informação constante desta página é fruto do trabalho de Ana Mehnert Pascoal e Ivonne Herrera, e foi redigida em maio de 2024, com base em fontes documentais e testemunhos locais, a quem muito agradecemos.
Para citar este trabalho:
Ana Mehnert Pascoal e Ivonne Herrera-Pineda para Arquitectura Aqui (2026) Salão Paroquial, Penamacor. Acedido em 16/03/2026, em https://arquitecturaaqui.eu/pt/obras/38537/salao-paroquial-penamacor











