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Bairro da Previdência, Bragança

O Bairro da Previdência, em Bragança, foi promovido na década de 1960 pela Federação das Caixas de Previdência (FCP), em cooperação com a Câmara Municipal de Bragança, sendo constituído por 90 fogos para famílias com pouco recursos. Os encargos financeiros com a sua construção foram suportados pela FCP, tendo a Câmara Municipal ficado encarregada pelas obras de urbanização, para as quais recebeu comparticipação do Estado e da FCP.

As negociações entre a Câmara Municipal de Bragança e a FCP começaram antes de maio de 1960, data em que o presidente da primeira questiona a segunda sobre se, “unicamente à custa das verbas da previdência, interessa a construção de alguns dos edifícios previstos”, informando que, em caso de resposta negativa, a Câmara iniciaria a construção de 24 habitações para as famílias residentes em edifícios a demolir para obras de arranjo da zona do Castelo.

Confirmando-se o interesse da FCP, o projeto foi avançando, ao longo do ano, com a definição de terreno para a construção de 90 fogos pelo arquiteto urbanista de Bragança, Viana de Lima, no mês de julho e com a elaboração de um estudo de implantação e urbanização do bairro pelo arquiteto Octávio Lixa Filgueiras. No início do ano seguinte, encontrava-se preparado um “estudo para Habitações Económicas, elaborado pelos arquitetos Alcino Soutinho, Augusto Amaral e Sérgio Fernandez para a FCP.

No entanto, passado um ano, em fevereiro de 1962, a demora no arranque da construção dos fogos, levou a Câmara Municipal de Bragança a voltar a questionar a FCP sobre a sua capacidade de “enfrentar a construção do bairro de 90 fogos”, caso contrário “esta Câmara [ver-se-ia] na necessidade de levar avante, por si só, o empreendimento que podia já ter realizado há cerca de dois anos, se não tivesse desistido a favor do projectado bairro dessa Federação”. Em novembro do ano seguinte, estando assegurada a participação da FCP, a Câmara Municipal de Bragança desistiu de uma comparticipação que lhe havia sido concedida para a construção de 96 fogos para as classes pobres.

No ofício em que desista da comparticipação, a Câmara Municipal referia a construção de um bairro de 90 fogos para famílias modestas. Outra correspondência trocada entre a Câmara Municipal e FCP ao longo de 1963 tocava na questão dos destinatários das habitações a construir. Em março, a FCP referia que “as habitações a construir se [destinariam] a famílias de modestos recursos, e como tal o nível de rendas a adoptar será necessariamente muito baixo”. Em novembro, uma comunicação da Direção-Geral dos Serviços de Urbanização indicava que a FCP pretendia construir, “sem encargo para essa Câmara Municipal, casas de renda económica e casas para operários e trabalhadores rurais”. Os bairros resultantes deveriam ser mistos, “sem que neles se [verificasse] segregação social ou económica, podendo, até, neles ser prevista a construção de habitações de renda livre, de nível mais elevado, moradias ou prédios de apartamentos”. Mais tarde, em março de 1969, um ofício do presidente da FCP informou a Câmara Municipal que a fixação das rendas dos agrupamentos de casas de renda económica competiria ao Ministro das Corporações e Previdência Social.

Se tem alguma memória ou informação relacionada com este registo, por favor envie-nos o seu contributo.

Análise

Data de Conclusão
1969
Importância, Particularidades, Similaridades, Posição Relativa (Geografia e Cronologia)

Uma moradora que conversa connosco em 2023, assinala que aproveita as horas de sol para apanhar banhos de sol porque a casa é muito fria, nota variações de temperatura muito marcadas no edifício e descreve o bairro como calmo, com pouco convívio nas zonas comuns, embora no verão haja um ponto de encontro ao ar livre e, nas proximidades, um campo de futebol onde os jovens costumam jogar.

Momentos-chave (clique abaixo para mais detalhe)

Atividades

Localização

Comunidade
Morada
Rua Visconde da Bouça, 5301-903 Bragança
Distrito Histórico (PT)
BragançaDistrito Histórico (PT)
Contexto
InteriorContexto
UrbanoContexto

Estado e Utilização

Estado
ConstruídoEstado da Obra

Documentação

Registos e Leituras

A informação constante desta página é fruto do trabalho de Catarina Ruivo e Ivonne Herrera Pineda, realizado ao longo de 2023, e foi reunida através de fontes documentais e de testemunhos recolhidos no local.

Para citar este trabalho:

Catarina Ruivo e Ivonne Herrera-Pineda para Arquitectura Aqui (2026) Bairro da Previdência, Bragança. Acedido em 03/02/2026, em https://arquitecturaaqui.eu/pt/obras/3993/bairro-da-previdencia-braganca

Este trabalho foi financiado pelo European Research Council (ERC) – European Union’s Horizon 2020 Research and Innovation Programme (Grant Agreement 949686 – ReARQ.IB) e por fundos nacionais portugueses através da FCT – Fundação para a Ciência e a Tecnologia, I.P., no âmbito do projeto ArchNeed – The Architecture of Need: Community Facilities in Portugal 1945-1985 (PTDC/ART-DAQ/6510/2020).