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Testemunho anônimo-04, Miranda do Douro

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Title
Testemunho anônimo-04, Miranda do Douro
Date
2023.05.16

Content

Observation or Conversation Record

Conversa anônima mantida entre uma moradora de Miranda do Douro e as investigadoras Ivonne Herrera Pineda e Catarina Ruivo em maio de 2023.

Barragem

Uma professora da escola primaria contava-lhe que nos tempos da barragem havia uma multidão de gente em Miranda.

Segundo pessoas idosas com quem ela conversou, Miranda passa por fases: Miranda tinha pouca gente, depois veio a barragem “que voltou a encher a Miranda”. Depois da barragem, já não havia emprego e as pessoas começaram a ir embora. “Entretanto apareceu o comércio, voltou a vir novamente gente”. Mas o comércio atualmente “está um bocadinho em baixo e estamos a ficar sem gente”.

Há um grupo que está a lutar por o dinheiro da barragem, o Movimento Cultural da Terra de Miranda, para que uma parte dos lucros seja revertida para a população local. Eles também estão a tentar reativar a agricultura e a pecuária, mas esta pessoa acha muito difícil.

Mercado

Ela costuma comprar no mercado porque acha de melhor qualidade os produtos do comércio de proximidade, como aqueles que pode-se encontrar ali.

Outras questões- Turismo e comércio

“Trabalhei sempre numa loja, sempre atrás de um balcão”. De meio de junho até meio de Setembro era quando havia negócio. Nos sábados se podia contar 20 e 30 autocarros.

O produto principal era as toalhas.  Vendia-se toalhas, jogos de cama, lençóis. Na altura vendia-se muitas t-shirts com publicidade portuguesa e fatos de treino com algodão português. “Há uns anos atrás, tinha imenso movimento, porque vinha muitos espanhóis às lojas”.

Os espanhois vinham comer bacalhau.  Vinha pessoal de Salamanca, Valladolid, Madrid, Burgos. Agora vem mais pessoal de Madrid, não vem mais a fazer compras, mas vem a visitar os miradouros, porque agora Miranda tem muitos miradouros.

Outras questões-Despovoamento

“Complicou-se muito a situação. Aqui está cada vez… as aldeias estão desertificadas”

Até em Miranda são “muito pouquinha gente”.

“Temos coisas muito boas para ficarmos aqui (recursos naturais, beleza da natureza, produtos regionais), é uma pena não se aproveitar e as pessoas irem”.

Outras questões- Juventude

Como acontecia na altura quando ela era jovem, após a escolaridade obrigatória, teve de trabalhar. Assim, muito jovem, veio para Miranda trabalhar numa loja.

Os jovens com formação devem ficar fora de Miranda para poder trabalhar. Pessoas com alta qualificação não podem trabalhar disso em Miranda porque essa formação “aqui em Miranda não tem saída”. Eles são empregados em serviços como lojas ou supermercados. Recentemente um supermercado deu emprego a 25 pessoas

“E há muita gente emigrada. Infelizmente há muitos jovens emigrados”.

Outras questões- Fronteira

Salienta a cercania com Salamanca e Zamora como aspetos positivos de Miranda (“o convívio da gente”… “é só atravessar a fronteira”).

Outras questões- Mirandês

Ela aprendeu a falar mirandês e estudou porque gostava de ouvir falar mirandês. Quando estudava mirandês gostava muito de ir a Salamanca.

Este testemunho oral foi recolhido e sistematizado por Ivonne Herrera Pineda, baseia-se numa conversa realizada em maio de 2023 entre uma pessoa anónima e as investigadoras Ivonne Herrera Pineda e Catarina Ruivo. Agradecemos sinceramente à pessoa participante a disponibilidade e generosidade para conversar connosco.

To quote this work:

Ivonne Herrera-Pineda for Arquitectura Aqui (2026) Testemunho anônimo-04, Miranda do Douro. Accessed on 17/01/2026, in https://arquitecturaaqui.eu/en/documentation/notes-from-observation-or-conversation/25354/testemunho-anonimo-04-miranda-do-douro

This work has received funding from the European Research Council (ERC) under the European Union’s Horizon 2020 Research and Innovation Programme (Grant Agreement No. 949686 - ReARQ.IB) and from Portuguese national funds through FCT – Fundação para a Ciência e a Tecnologia, I.P., in the cadre of the research project ArchNeed – The Architecture of Need: Community Facilities in Portugal 1945-1985 (PTDC/ART-DAQ/6510/2020).