Conversa com Francisco Abreu, Penamacor
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Conversa por correio eletrónico entre Francisco Abreu e a investigadora Ana Mehnert Pascoal. Desde o projeto Arquitectura Aqui estamos infinitamente gratos pela sua inestimável colaboração e apoio. Experiências como encontrá-lo e dialogar consigo inspiram, enriquecem e dão sentido ao nosso trabalho. Muito obrigado!
Seguem-se algumas informações partilhadas por ele por correio eletrónico. São reproduzidas praticamente tal como foram escritas por ele - com exceção de pequenas modificações - pela riqueza e grande valor do seu testemunho.
Casas pré-fabricadas
A investigadora Ana Pascoal refere ter lido em documentos de arquivo sobre intenções de se construírem casas pré-fabricadas em Penamacor em 1976 para dar conta do problema da habitação. Pergunta se sabe se chegaram a ser construídas.
De acordo com Francisco Abreu, as referidas habitações nunca foram construídas, nem sequer muito discutidas localmente.
Grémio da Lavoura
De acordo com Francisco Abreu, o Grémio da Lavoura, funcionava numa casa de habitação (que hoje voltou a ter estas funções) e numa rua designada popularmente como “rua da Botica” (embora o nome oficial seja Cândido dos Reis). Não sabe se antes terá funcionado em outro local.
Dado que os pais de Francisco Abreu eram comerciantes e produtores agrícolas locais, ele comenta que foi lá, ao então Grémio da Lavoura, muitas vezes para tratar de assuntos relacionados aos negócios dos seus pais.
Antigo posto da Polícia de Segurança Pública [PSP]
Segundo Francisco Abreu, o antigo edifício onde funcionou a PSP, depois de ter esse uso e durante alguns anos - não muitos - também ali funcionou a Junta de Freguesia de Penamacor, para depois passar a funcionar lá a Segurança Social, que ainda se lá mantém.
Externato Nossa Senhora do Incenso- Escola pré-fabricada
Francisco Abreu é grande conhecedor da história do Externato Nossa Senhora do Incenso, dado que foi professor no Colégio entre 1983 e 1996, e também membro da Direcção Pedagógica do centro.
Como Francisco Abreu narra, nos fins dos anos 60 e inícios dos anos 70 (ainda um pouco antes do 25 de Abril) foi lançado o 2º ciclo de escolaridade (então designado como "Ciclo Preparatório"). Tal nível de escolaridade passou então a funcionar num edifício apalaçado que em Penamacor era designado como "Casa do Conde de Proença-a-Velha". Francisco Abreu fez ali o então designado Ciclo Preparatório (que hoje corresponde ao 2º Ciclo de Escolaridade, portanto os 5º e 6º anos). Neste Palacete dos Conde de Proença-a-Velha funcionou o Ciclo Preparatório até aproximadamente os finais dos anos 80.
O ensino em Penamacor estava então entregue ao Externato Nossa Senhora do Incenso, que detinha um Contrato de Associação com Paralelismo Pedagógico com o então Ministério da Educação, pelo que ali se leccionava desde o então 3º ano (após o 1º e 2º anos do tal Ciclo Preparatório) até ao então 7º ano dos Liceus (também designado como 2º ano do Curso Complementar dos Liceus, e que hoje corresponde ao 11º ano de escolaridade).
Pelos fins dos anos 80 aproximadamente e talvez por motivos de venda familiar do "Palacete do Conde" (que viria a ser adquirido pela Câmara Municipal, e onde viria a ser instalada a Biblioteca Municipal, que lá funciona até hoje) criou-se o edifício da escola mas em material pré-fabricado e onde se passaram então a leccionar os actuais 2º e 3º Ciclos de Escolaridade (do 5º ao 9º ano de escolaridade), em simultâneo com os mesmos anos de escolaridade também no Externato Nossa Senhora do Incenso, o qual continuava também com o Contrato de Associação e leccionava até ao 12º ano.
Este duplicar de Escolas e anos de escolaridade (num Colégio particular e numa escola oficial) criava ambientes de alguma crispação. Por exemplo, há vários artigos de jornais sobre a inauguração da nova Escola Preparatória (em número com data de 31 de Dezembro de 1984) e com o título "Inaugurado Oficialmente o Liceu de Penamacor", com data de 31 de Março de 1984. Segundo Francisco Abreu, o simples facto de neste número se designar a Escola Preparatória como "O Liceu" expressava algumas confrontações que se foram criando nessa década entre o Externato Nossa Senhora do Incenso e a Escola Preparatória.
Entretanto, e também por problemas que o referido edifício pré-fabricado naturalmente viria, cada vez mais, a apresentar, foi-se criando um movimento de exigência de construção de uma nova escola oficial, quer por parte da Direcção da Escola oficial, mas também por parte do Município (que é a que hoje funciona e está localizada junto à Variante). A tal construção pré-fabricada funcionou como escola até, mais ou menos, os últimos anos do século passado.
Por outro lado, a Câmara Municipal de Idanha-a-Nova promoveu que os alunos que provinham de freguesias daquele Concelho (Monsanto, Penha Garcia, Medelim, Termas de Monfortinho, entre várias outras) passassem a frequentar a Escola oficial de Idanha-a-Nova e não viessem para o Externato Nossa Senhora do Incenso. Isto também se acentuou mais com o decréscimo populacional, pelo que por volta do ano 1996-1997 afirmou-se um movimento de oposição à existência do Colégio, o qual pouco depois viria a fechar definitivamente.
A recolha e sistematização deste testemunho foram elaboradas por Ivonne Herrera Pineda, com base numa conversa mantida por correio eletrónico em junho de 2024 entre Francisco Abreu e a investigadora Ana Mehnert Pascoal. Agradecemos a inestimável colaboração e apoio de Francisco Abreu para realizar esta investigação.
Para citar este trabajo:
Ivonne Herrera-Pineda para Arquitectura Aqui (2025) Conversa com Francisco Abreu, Penamacor. Accedido en 12/01/2026, en https://arquitecturaaqui.eu/es/documentacion/notas-de-observacion-o-conversacion/48944/conversa-com-francisco-abreu-penamacor




