Edifícios do Posto de Depuração de Ostras do Tejo, Rosário, Moita
O conjunto de edifícios na praia do Rosário foi construído na primeira metade da década de 1950 para funcionar como posto de depuração de ostras.
Segundo investigação de Diego Inglez de Souza, a intenção de desenvolver a ostreicultura no Tejo remonta à I República, que pretendeu incrementar as qualidades da ostra portuguesa, um recurso abundante no estuário do Tejo cuja exploração teria impactos na economia. No entanto, foi o regime do Estado Novo a intervir ativamente sobre o setor das pescas, banindo a comercialização desta espécie após constatar que o seu consumo não era seguro devido ao aumento do tráfego marítimo e da expansão urbana em torno de Lisboa. Assim, tornou-se necessário implementar o processo de depuração, desenvolvido e em uso noutros países europeus, como Inglaterra e França.
O posto de depuração de ostras no estuário do Tejo foi criado em 1951 pela Portaria n.º 13.677 do Ministério da Marinha, para assegurar a qualidade das ostras para consumo interno recorrendo à eliminação de microorganismos patogénicos e impurezas. O estabelecimento e administração do posto foram acometidos aos organismos corporativos das pescas. A construção dos equipamentos para o posto foi estudada pelos biólogos Mousinho Figueiredo e Herculano Vilela, que integravam uma comissão administrativa e visitaram congéneres estrangeiros, e foi supervisionada pela Direção-Geral dos Serviços de Urbanização. Em 1953, foi conferida personalidade jurídica ao posto de depuração de ostras, o que facilitou, por exemplo, a aquisição de bens. A obra foi executada pela Sociedade de Construções e Madeiras, entre 1953 e 1954. O conjunto foi inaugurado em 7 de fevereiro de 1954.
Tanto Diego Inglez de Souza como o Sistema de Informação para o Património Arquitetónico (SIPA) afirmam que o Posto de Depuração de Ostras do Tejo encerrou no início da década de 1970, como consequência do declínio da ostra portuguesa devido à crescente poluição do rio decorrente da industrialização da zona conjugada com o cultivo e consumo intensivos da espécie e uma doença que afetou as brânquias das ostras, e possivelmente pelas tintas usadas nas embarcações da Lisnave. No entanto, uma publicação editada pela Câmara Municipal da Moita sobre o Centro de Interpretação Ambiental do Sítio das Marinhas menciona que o posto se manteve em atividade até fevereiro de 1996, recebendo ostras de outras proveniências desde os inícios dos anos 70. Em 1972, o pessoal, material e infraestruturas do posto transitaram para o Centro de Depuração de Moluscos, então criado na dependência da Junta Nacional de Fomento das Pescas, não havendo qualquer indicação acerca da extinção do posto.
A documentação consultada permite compreender que, em 1985, o conjunto se encontrava sob alçada do Instituto Nacional de Investigação das Pescas. O organismo necessitava de fazer obras, e por não possuir pessoal técnico para esse fim, contactou a Direção-Geral dos Edifícios e Monumentos Nacionais, que vistoriou as instalações. Nessa altura, era particularmente necessário recuperar e estabilizar o muro de suporte de terras.
Segundo informação constante no Sistema de Informação para o Património Arquitetónico, em 2001, na sequência do Programa de Valorização da Zona Ribeirinha “Pró-Tejo”, delineado pela Câmara Municipal da Moita com vista a uma valorização integrada da zona ribeirinha do concelho e manutenção e reforço do equilíbrio do Estuário do Tejo, foi estabelecido um acordo para desenvolver um projeto ambiental. Pretendia aproveitar o conjunto do posto de depuração para utilização futura, e contaria com a participação conjunta da câmara municipal, do gabinete do secretário de Estado e do Ministério do Ambiente e Ordenamento do Território. Porém, em 2005, o complexo encontrava-se abandonado.
Em 2007, o conjunto foi colocado em hasta pública. No ano anterior, a DGEMN foi responsável pela construção de um novo muro de suporte e talude. Em 2026, os edifícios foram adaptados, sendo ocupados por uma empresa privada que organiza eventos diversos, como casamentos, nos espaços do antigo posto de depuração de ostras.
Para mais detalhes, consultar a secção Momentos-chave abaixo.
Análisis
Localizado junto à praia do Rosário, o conjunto foi planeado para uma área de 10.500 m2. Os equipamentos incluíam dois tanques cilíndricos para armazenar e tratar a água insalubre do rio, uma torre com depósito de água potável, dois tanques para depuração e desinfeção e um armazém para as ostras, bem como um laboratório e instalações para o vigilante.
Momentos-clave (clique abajo para más detalle)
Ubicación
R. Cidla, Rosário
Estado y Utilización
Fórum
Documentación
A informação constante desta página foi redigida por Ana Mehnert Pascoal, em abril de 2026, com base em fontes documentais e bibliográficas.
Para citar este trabajo:
Ana Mehnert Pascoal para Arquitectura Aqui (2026) Edifícios do Posto de Depuração de Ostras do Tejo, Rosário, Moita. Accedido en 18/04/2026, en https://arquitecturaaqui.eu/es/edificios-y-conjuntos/68086/edificios-do-posto-de-depuracao-de-ostras-do-tejo-rosario-moita




